Ava Worthington tinha 15 anos, morreu a 2 de Março de 2008 em Oregon nos EUA de pneumonia, uma infecção e outras causas. Se até ao dia em que morreu tivesse sido tratada por um médico, ainda estaria viva. Esteve em casa vários dias sem cuidados médicos acompanhada pelos pais e por várias dezenas de membros da Igreja dos Seguidores de Cristo, que a estavam a tratar pela fé... Porque não a levaram ao médico? Segundo o pai: "Nós não acreditámos em médicos". Quando perguntaram à mãe se ela soubesse que a filha estava a morrer a tinha levado ao médico, ela respondeu: "Não sei..."!!!
Mas que raio?... Estará tudo a ficar tolo?
quinta-feira, 2 de julho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Exorcismo...
Lembro-me de ver quando era criança o filme "O Exorcista". Lembro-me de gostar, e de me sentir corajoso, já que muitos adultos que eu conhecia não tiveram coragem de o ver, nem queriam que eu visse. No fim, não fiquei com pesadelos, nem a acreditar em demónios, antes pelo contrário, sabia que nada disso existia, e que já não se praticavam exorcismos, porque toda a gente sabia que era mentira... Agora sei que estava enganado. Ainda existem locais na Terra onde o conhecimento não chegou ao nível de se ter desacreditado tal prática. Locais do terceiro mundo. Por isso tudo, fiquei surpreendido (embora não tanto como possam pensar) quando li no correio da manhã a seguinte notícia:
"Um grupo religioso dos EUA colocou na Internet um vídeo onde um adolescente de 16 anos é sujeito a um exorcismo para expurgar o "demónio homossexual" do seu corpo."
"Um grupo religioso dos EUA colocou na Internet um vídeo onde um adolescente de 16 anos é sujeito a um exorcismo para expurgar o "demónio homossexual" do seu corpo."
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
Igreja Católica, pouco católica...
Foi publicado nos fins de Maio deste ano o relatório final obtido depois de nove anos de investigação por uma comissão irlandesa sobre décadas de violações, humilhações e espancamentos de menores em instituições ligadas à igreja, na Irlanda. O relatório de 2600 páginas revela detalhadamente os abusos sofridos pelas crianças e também que o Vaticano tinha conhecimento dos mesmos desde 1930. Foram ouvidas cerca de três mil e duzentas testemunhas, e segundo apurou a comissão, cerca de 35 mil crianças foram vítimas de abusos (duas mil das quais confessaram ter sofrido abusos físicos e sexuais, embora é quase certo que o número de pessoas que confessou seja inferior ao número das que realmente sofreram abusos). "As crianças viviam com o temor diário de não saberem de onde poderia vir o próximo espancamento", diz a comissão. Centenas de testemunhas afirmam terem sido espancadas em todas as partes do corpo, e forçadas a despirem-se em público. As vítimas de abuso, que agora têm entre 50 a 80 anos lamentam que no relatório falte o nome daqueles que cometeram os abusos. Christine Buckley, de 62 anos disse: "Acredito genuinamente que seria um passo importante na nossa recuperação se aqueles que abusaram de nós fossem identificados e fossem envergonhados". A maioria das pessoas ligadas à Igreja católica lamenta o facto, e assume a responsabilidade da igreja. A única reacção oficial do Vaticano veio pela voz do cardeal espanhol Antonio Canizares, que lamenta o sucedido, mas tenta desviar as atenções para outro lado: "O que se passou em algumas escolas não se pode comparar com os milhões de vidas que foram destruídas pelo aborto. Ele (o aborto) já destruiu legalmente 40 milhões de vidas humanas". Ok... mas o que é que isso tem a ver com o abuso de menores? Shame on you...
Para saber mais: Children exposed to 'daily terror' in institutions, Abortion worse than child abuse, says Vatican figure.
Para saber mais: Children exposed to 'daily terror' in institutions, Abortion worse than child abuse, says Vatican figure.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
De onde vem a moralidade?
No livro "Why I Am Not a Christian and Other Essays on Religion and Related Subjects", o filósofo britânico Bertrand Russell apresenta a seguinte argumentação:
"Se tiver a certeza de existir uma diferença entre o bem e o mal, então encontra-se na seguinte situação: Essa diferença é decretada por Deus ou não? Se é decretada por Deus, então para o próprio Deus não existe diferença entre bem e mal, e deixa de ter significado dizer que Deus é bom. Se disser, como dizem os teólogos, que Deus é bom, deve então dizer que o bem e o mal têm um significado que não dependente de nenhum decreto de Deus, porque os decretos de Deus são bons ou não, independentemente do simples facto de ele os ter decretado. Se esse for o seu argumento, tem então de dizer que não é apenas através de Deus que o bem e o mal existem, que eles são na sua essência logicamente anteriores a Deus."
"Se tiver a certeza de existir uma diferença entre o bem e o mal, então encontra-se na seguinte situação: Essa diferença é decretada por Deus ou não? Se é decretada por Deus, então para o próprio Deus não existe diferença entre bem e mal, e deixa de ter significado dizer que Deus é bom. Se disser, como dizem os teólogos, que Deus é bom, deve então dizer que o bem e o mal têm um significado que não dependente de nenhum decreto de Deus, porque os decretos de Deus são bons ou não, independentemente do simples facto de ele os ter decretado. Se esse for o seu argumento, tem então de dizer que não é apenas através de Deus que o bem e o mal existem, que eles são na sua essência logicamente anteriores a Deus."
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Indocrinar...
Durante os últimos meses tenho tropeçado na palavra indocrinar, referindo-se à educação religiosa. Mas afinal, o que significa indocrinar? No contexto em que se encontrava, eu simplesmente a substituía por educar, e tudo fazia sentido, mas deve haver uma diferença. A melhor definição que encontrei está na revista Ribalta N.14 de 2008, pág. 53, escrito pelo doutor Óscar Chiva Bartoll (professor no IES Francesc Tàrrega de Vila-real) e pela doutora Mónica Esteve Sancho (professora no IES Francesc Ribalta). Aqui fica uma tentativa de tradução...
"O que distingue educação de indocrinação é o objectivo que se tenta alcançar em cada caso. Indocrinar faz referência a uma moral fechada baseada em receitas, que procura deter a capacidade de uma pessoa pensar por si mesma. Educar, por sua vez, baseia-se numa moral aberta baseada na autonomia, que procura incutir a capacidade de pensar, julgar e decidir por si próprio. Indocrinar identifica-se com a palavra latina educare, que significa guiar, conduzir. Por sua vez, educar identifica-se com outra palavra latina muito parecida, mas substancialmente diferente: educere, que significa fazer sair, criar."
"O que distingue educação de indocrinação é o objectivo que se tenta alcançar em cada caso. Indocrinar faz referência a uma moral fechada baseada em receitas, que procura deter a capacidade de uma pessoa pensar por si mesma. Educar, por sua vez, baseia-se numa moral aberta baseada na autonomia, que procura incutir a capacidade de pensar, julgar e decidir por si próprio. Indocrinar identifica-se com a palavra latina educare, que significa guiar, conduzir. Por sua vez, educar identifica-se com outra palavra latina muito parecida, mas substancialmente diferente: educere, que significa fazer sair, criar."
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Anti-semitismo
"É por isso que creio agir segundo o espírito do Omnipotente, nosso criador, pois:
Defendendo-me contra o judeu, combato para defender a obra do Senhor."
in Mein Kampf, capítulo 2
Defendendo-me contra o judeu, combato para defender a obra do Senhor."
in Mein Kampf, capítulo 2
terça-feira, 19 de maio de 2009
Oração...
Há três anos atrás foi feito um estudo chamado "Estudo dos Efeitos Terapêuticos da Prece Intercessora" (Study of the Therapeutic Effects of Intercessory Prayer - STEP, em inglês), para tentar avaliar os efeitos na saúde de pessoas pelas quais alguém está a rezar. Se uma pessoas rezar para si própria, o efeito placebo pode entrar em acção. O mesmo acontece quando sabemos que alguém está a rezar por nós. Mas e se não soubermos que estão a rezar por nós? Nesse caso, não podemos falar do efeito placebo, e podemos então tirar algumas conclusões. Foi isso que o estudo tentou fazer, usando pacientes a recuperar de uma operação ao coração.
O teste foi feito em 6 hospitais, e em 1802 pacientes: 604 pacientes receberam orações, depois de informados que poderiam ou não recebê-las (grupo 1); 597 pacientes não receberam orações, depois de terem sido informados que poderiam ou não recebê-las (grupo 2); por fim, 601 pacientes receberam orações, depois de terem sido informados de que as iriam receber.
Todos os pacientes eram cristãos, e todas as orações eram iguais, e individualizadas (pediam a recuperação de uma pessoa em especial).
Ocorreram complicações em 52% dos pacientes do grupo 1 (receberam orações, mas não sabiam), em 51% dos do grupo 2 (não receberam orações, mas não sabiam), e em 59 % dos do grupo 3 (receberam orações e sabiam)...
Portanto... não existe diferença entre o grupo 1 e o grupo 2: a oração não tem efeitos na recuperação dos pacientes; e o grupo 3 teve mais complicações que o grupo 1: os pacientes que sabiam que alguém estava a rezar por eles tiveram mais complicações (embora uma diferença não muito grande).
O teste foi feito em 6 hospitais, e em 1802 pacientes: 604 pacientes receberam orações, depois de informados que poderiam ou não recebê-las (grupo 1); 597 pacientes não receberam orações, depois de terem sido informados que poderiam ou não recebê-las (grupo 2); por fim, 601 pacientes receberam orações, depois de terem sido informados de que as iriam receber.
Todos os pacientes eram cristãos, e todas as orações eram iguais, e individualizadas (pediam a recuperação de uma pessoa em especial).
Ocorreram complicações em 52% dos pacientes do grupo 1 (receberam orações, mas não sabiam), em 51% dos do grupo 2 (não receberam orações, mas não sabiam), e em 59 % dos do grupo 3 (receberam orações e sabiam)...
Portanto... não existe diferença entre o grupo 1 e o grupo 2: a oração não tem efeitos na recuperação dos pacientes; e o grupo 3 teve mais complicações que o grupo 1: os pacientes que sabiam que alguém estava a rezar por eles tiveram mais complicações (embora uma diferença não muito grande).
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