D. José Policarpo diz que a Igreja jamais aceitará que se chame casamento à união entre pessoas do mesmo sexo!
Pois claro, a igreja fará como entender. Eu só não sabia que a Igreja estava a pensar permitir uniões do mesmo sexo dentro da sua comunidade... Será que anda??? Pois, não me parece... Mas então, de que estará o D. Policarpo a falar? Será do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo? A Igreja não quer chamar casamento ao casamento entre pessoas do mesmo sexo? Será isso? Bom, desde que se limitem a falar uns com os outros, não me parece que isso venha a causar qualquer problema. Por mim até podem deixar completamente de falar português, e começar a falar em latim! Quanto ao resto de nós, e quando se reportarem ao estado laico português, vão ter de falar e usar o nosso vocabulário.
Já agora, aqui fica uma ajuda (tente encontrar a referência à orientação sexual...):
casamento
(casar + -mento)
s. m.
1. Acto ou efeito de casar.
2. Contrato de união ou vínculo entre duas pessoas que institui deveres conjugais.
3. Cerimónia ou ritual que efectiva esse contrato ou união.
4. Fig. União, associação, vínculo.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
O casamento do Dr. Diogo Freitas do Amaral
No artigo publicado na revista Visão nº879, nas páginas 38 e 39, o Dr. Diogo Freitas do Amaral esclarece-nos sobre o que é o casamento. Começa muito bem ao dizer que "o facto de a qualificação das uniões homossexuais como «casamento» não existir senão numa escassa dezena de países(...) devia levar-nos a meditar sobre se estamos perante o início de uma evolução irreversível, ou apenas diante de uma moda passageira". Estou de acordo, embora tenha quase a certeza que depois do mesmo tempo de meditação, chegaremos a conclusões diferentes.
Um pouco mais à frente no artigo tenta reforçar o peso do casamento como associado exclusivamente à união de pessoas de sexos opostos, usando a idade como argumento. Não a sua idade, mas a idade do casamento heterossexual: há registos escritos da instituição casamento (heterossexual e monogâmico) desde há mais de cinco mil anos, idade da primeira civilização conhecida (a Suméria). (Não que seja de muita importância, mas as fontes do Dr. Amaral não estão de acordo com as minhas, segundo as quais o homo sapiens existe na região euro-mediterrânica há mais de quarenta mil anos, em oposição com os dez mil anos sustentados pelo Dr. Amaral.) Parece-me que o argumento é: o facto de existir desde sempre, desequilibra a balança para o lado da sua manutenção. O que dizer então da escravatura, cujos registos vão também até à civilização Suméria? Não posso garantir, mas aposto que na altura da sua abolição houve pessoas a esgrimir este mesmo argumento. Estavam certas? Não. Logo, o argumento não é válido.
Diz-nos também o Dr. Amaral que o regime jurídico do casamento “tem sobretudo em vista impor aos pais deveres sérios em relação aos filhos”, deveres esses que devem contribuir para “a sobrevivência da espécie humana”. Em troca desses deveres, o estado garante aos pais alguns direitos. O ser humano nasce indefeso, e precisa de protecção durante os primeiros anos de vida, protecção essa que os pais ficam obrigados a dar aos filhos, quando estão casados. Dito isto, o Dr. Amaral faz um salto de lógica assombroso: as uniões familiares homossexuais “não são idênticas à instituição do «casamento» enquanto tal: não são geradoras de descendência própria nem precisam, portanto, dos direitos de deveres dos pais em relação aos filhos”. Ora, umas linhas atrás o Dr. Amaral diz: “todos sabemos que pode haver procriação sem casamento, assim como casamento sem procriação”. Estou confuso: por um lado existe casamento sem procriação, por outro lado as uniões familiares homossexuais não devem ser consideradas casamento porque não geram descendência... Para além disso, com que direito insinua o Dr. Amaral que o facto de os pais não serem de sexos opostos impossibilita ou prejudica a protecção dos filhos (biológicos ou adoptados)?
No penúltimo parágrafo do artigo o Dr. Amaral tenta usar mais um argumento no mínimo estranho: “se a legalização do «casamento» entre homossexuais é, como se proclama, um factor decisivo de progressismo e modernidade, porque é que ela não foi até hoje aceite, com o nome «casamento», nas grandes democracias europeias”? (ênfase minha). Nem sequer vou comentar.
Um pouco mais à frente no artigo tenta reforçar o peso do casamento como associado exclusivamente à união de pessoas de sexos opostos, usando a idade como argumento. Não a sua idade, mas a idade do casamento heterossexual: há registos escritos da instituição casamento (heterossexual e monogâmico) desde há mais de cinco mil anos, idade da primeira civilização conhecida (a Suméria). (Não que seja de muita importância, mas as fontes do Dr. Amaral não estão de acordo com as minhas, segundo as quais o homo sapiens existe na região euro-mediterrânica há mais de quarenta mil anos, em oposição com os dez mil anos sustentados pelo Dr. Amaral.) Parece-me que o argumento é: o facto de existir desde sempre, desequilibra a balança para o lado da sua manutenção. O que dizer então da escravatura, cujos registos vão também até à civilização Suméria? Não posso garantir, mas aposto que na altura da sua abolição houve pessoas a esgrimir este mesmo argumento. Estavam certas? Não. Logo, o argumento não é válido.
Diz-nos também o Dr. Amaral que o regime jurídico do casamento “tem sobretudo em vista impor aos pais deveres sérios em relação aos filhos”, deveres esses que devem contribuir para “a sobrevivência da espécie humana”. Em troca desses deveres, o estado garante aos pais alguns direitos. O ser humano nasce indefeso, e precisa de protecção durante os primeiros anos de vida, protecção essa que os pais ficam obrigados a dar aos filhos, quando estão casados. Dito isto, o Dr. Amaral faz um salto de lógica assombroso: as uniões familiares homossexuais “não são idênticas à instituição do «casamento» enquanto tal: não são geradoras de descendência própria nem precisam, portanto, dos direitos de deveres dos pais em relação aos filhos”. Ora, umas linhas atrás o Dr. Amaral diz: “todos sabemos que pode haver procriação sem casamento, assim como casamento sem procriação”. Estou confuso: por um lado existe casamento sem procriação, por outro lado as uniões familiares homossexuais não devem ser consideradas casamento porque não geram descendência... Para além disso, com que direito insinua o Dr. Amaral que o facto de os pais não serem de sexos opostos impossibilita ou prejudica a protecção dos filhos (biológicos ou adoptados)?
No penúltimo parágrafo do artigo o Dr. Amaral tenta usar mais um argumento no mínimo estranho: “se a legalização do «casamento» entre homossexuais é, como se proclama, um factor decisivo de progressismo e modernidade, porque é que ela não foi até hoje aceite, com o nome «casamento», nas grandes democracias europeias”? (ênfase minha). Nem sequer vou comentar.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Abel Xavier Converte-se ao Islão
Segundo o site do jornal "A Bola", Abel Xavier converteu-se ao Islão. Nas suas palavras, começou a sua conversão na Turquia, onde «lentamente, aprendi uma religião que professa a paz, a igualdade, a liberdade e a esperança». Paz??? Sim, claro, desde que sejamos todos muçulmanos, e todos ou xiitas ou sunitas. Igualdade??? Sim, se não contarmos com as mulheres, claro está. Liberdade??? Sim, desde que não se seja homossexual... Não é fácil acreditar que se é livre num regime totalitário, mesmo que as ordem venham do Sagrado Corão. Esperança??? Ok, aqui até posso acreditar que sim que haja muita esperança no Islão, mas não a há em todo o lado? Porquê associar-mo-nos a uma religião que diz que o testemunho de uma mulher vale metade do de um homem? E que diz que todas as mulheres devem ser submissas ao seu marido (que normalmente é escolhido pelo pai dela) e deve estar sempre sexualmente disponível (menos se estiver com o período), correndo o risco de ser agredida e violada caso se recuse a comprazer o marido? E que diz que todos os "infiéis" devem ser eliminados da face da Terra, juntamente com todos os homossexuais?
Ah, Abel, Abel... Eu vi logo que toda aquela tinta na cabeça não ia fazer nada de bom a esse... cérebro?
Ah, Abel, Abel... Eu vi logo que toda aquela tinta na cabeça não ia fazer nada de bom a esse... cérebro?
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Justiça Texana...
Khristian Oliver foi condenado à morte no estado do Texas. Desta vez ninguém disputa se a decisão foi correcta ou não. A discussão é sobre como os jurados chegaram ao veredicto.
Depois do julgamento começaram a surgir evidências de que os jurados tinham consultado a Bíblia durante a deliberação da sentença. Vários jurados confirmaram que haviam algumas Bíblias entre eles, e que várias passagens foram postas a circular, incluindo Números 35:16: "Mas se alguém ferir a outrem com instrumento de ferro de modo que venha a morrer, homicida é; e o homicida será morto." Parece contudo que ninguém referiu a passagem que se encontra logo de seguida (Números 35:22-25): "Mas se o empurrar acidentalmente, sem inimizade, ou contra ele lançar algum instrumento, sem ser de emboscada, ou sobre ele atirar alguma pedra, não o vendo, e o ferir de modo que venha a morrer, sem que fosse seu inimigo nem procurasse o seu mal, então a congregação julgará entre aquele que feriu e o vingador do sangue, segundo estas leis, e a congregação livrará o homicida da mão do vingador do sangue, fazendo-o voltar à sua cidade de refúgio a que se acolhera; ali ficará ele morando até a morte do sumo sacerdote, que foi ungido com o óleo sagrado."
Portanto parece-me que antes de procurar a resposta nas passagens da Bíblia temos de decidir sobre a sua culpa. Bom, mas depois de decidirmos sobre a sua culpa temos as nossas leis para aplicar, e não precisamos de procurar passagens na Bíblia para justificar a pena de morte.
Depois do julgamento começaram a surgir evidências de que os jurados tinham consultado a Bíblia durante a deliberação da sentença. Vários jurados confirmaram que haviam algumas Bíblias entre eles, e que várias passagens foram postas a circular, incluindo Números 35:16: "Mas se alguém ferir a outrem com instrumento de ferro de modo que venha a morrer, homicida é; e o homicida será morto." Parece contudo que ninguém referiu a passagem que se encontra logo de seguida (Números 35:22-25): "Mas se o empurrar acidentalmente, sem inimizade, ou contra ele lançar algum instrumento, sem ser de emboscada, ou sobre ele atirar alguma pedra, não o vendo, e o ferir de modo que venha a morrer, sem que fosse seu inimigo nem procurasse o seu mal, então a congregação julgará entre aquele que feriu e o vingador do sangue, segundo estas leis, e a congregação livrará o homicida da mão do vingador do sangue, fazendo-o voltar à sua cidade de refúgio a que se acolhera; ali ficará ele morando até a morte do sumo sacerdote, que foi ungido com o óleo sagrado."
Portanto parece-me que antes de procurar a resposta nas passagens da Bíblia temos de decidir sobre a sua culpa. Bom, mas depois de decidirmos sobre a sua culpa temos as nossas leis para aplicar, e não precisamos de procurar passagens na Bíblia para justificar a pena de morte.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Infidel

Há livros de que gostamos muito, alguns que lemos mais do que uma vez, e alguns que gostaríamos que toda a gente lesse. Eu leio muito, e por isso tenho muitos livros de que gosto muito, alguns que li (ou espero ler) mais de uma vez, e dois ou três que gostaria que toda a gente lesse: por favor, se ainda não o fizeram, leiam este livro: "Infidel - my life" de Ayaan Hirsi Ali (o título em português é "Uma mulher rebelde"). Garanto que não vos vai deixar indiferentes.
O livro conta, na primeira pessoa, a história verídica da política Ayaan Hirsi Ali. Eu gostaria de vos contar pormenores sobre a história, mas perante o dilema: ou conto pormenores de mais, e vou estragar a surpresa; ou não conto nada e deixo-os(as) tirar as suas conclusões - resolvi-me pela segunda solução!
Não é um livro de leitura fácil! Posso-vos dizer que durante a minha leitura do livro houve momentos em que me senti com muita sorte: por ter nascido deste lado do mundo, e por ser homem! Mas foram esses também os momentos em que senti maior angustia... Todos sabemos que não vivemos num mundo perfeito, mas nem todos temos a noção do quão imperfeito ele é... Eu não tinha, pelo menos tão completamente.
Depois de lido o livro, dei comigo a pensar em quantos sub-mundos existem neste nosso "pequeno" mundo, dos quais apenas nos chegam ecos, muitas vezes distorcidos...
Se não acham que têm tempo para ler o livro, têm outra solução, que em alguns aspectos é ainda melhor (para aqueles que entendem inglês): comprem o audiobook lido pela autora, e ouçam-no durante as viagens para o trabalho.
sábado, 26 de setembro de 2009
Alan Turing
Alan Turing foi um matemático brilhante, e uma peça chave na vitória sobre os Nazis na segunda guerra mundial. Foi também importante nos primórdios da computação, e podemos-lhe agradecer termos hoje em nossa casa computadores pessoais. Em 1952 foi condenado a castração química pelo governo inglês, pelo crime de "indecência grosseira" (era homossexual). Passados dois anos, suicidou-se. Este ano, depois de um abaixo assinado a nível mundial (que eu próprio também assinei) o ter exigido, o governo inglês pediu oficialmente desculpas. Só foi pena ter demorado tanto tempo.
Mas... nem toda a gente ficou contente...
Mas... nem toda a gente ficou contente...
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Justiça!
Há uns tempos vi um vídeo de Christopher Hitchens onde ele apresentava uma argumentação que na altura me deixou a pensar um bocado...
O caso de Josef Fritzl ainda nos está na memória. Ele manteve a sua filha, Elisabeth, prisioneira na cave de sua casa durante 24 anos! Durante esses anos ele violou-a constantemente, e dessa relação nasceram 7 filhos, um dos quais acabou por morrer por não receber assistência médica. Elisabeth viu o filho morrer, e ser depois queimado na central de aquecimento da casa.
Será que conseguimos imaginar a dor de Elisabeth? Mantida refém pelo próprio pai, violada constantemente? Quantas vezes terá ela rezado, com mais fervor do que muita gente, pedindo a Deus que terminasse com o seu sofrimento? Quantas vezes terá perguntado a Deus "porquê"? Quantas promessas terá feito a Deus para que a libertasse? Será que conseguimos imaginar? Durante 24 anos? Será que alguém terá rezado com mais vontade, com mais necessidade?
Alguém terá coragem de a olhar nos olhos, e de lhe dizer: "Porque choras? Não te preocupes, está tudo bem. Deus é todo poderoso, e na próxima vida ele vai-te recompensar, e o teu raptor será severamente castigado".
O mundo não é justo, e isso não é bom. Sentimos necessidade de uma justiça num outro mundo, porque vemos que muita gente não a tem neste. Mas não nos deixemos iludir: não sabemos nada de outros mundos, por isso temos de viver com aquilo que temos. A vida muitas vezes é injusta. Nós temos de lutar para que a justiça chegue neste mundo. Umas vezes chega, outras não, mas temos de continuar a tentar. Como todos sabemos, o mundo não é perfeito.
O caso de Josef Fritzl ainda nos está na memória. Ele manteve a sua filha, Elisabeth, prisioneira na cave de sua casa durante 24 anos! Durante esses anos ele violou-a constantemente, e dessa relação nasceram 7 filhos, um dos quais acabou por morrer por não receber assistência médica. Elisabeth viu o filho morrer, e ser depois queimado na central de aquecimento da casa.
Será que conseguimos imaginar a dor de Elisabeth? Mantida refém pelo próprio pai, violada constantemente? Quantas vezes terá ela rezado, com mais fervor do que muita gente, pedindo a Deus que terminasse com o seu sofrimento? Quantas vezes terá perguntado a Deus "porquê"? Quantas promessas terá feito a Deus para que a libertasse? Será que conseguimos imaginar? Durante 24 anos? Será que alguém terá rezado com mais vontade, com mais necessidade?
Alguém terá coragem de a olhar nos olhos, e de lhe dizer: "Porque choras? Não te preocupes, está tudo bem. Deus é todo poderoso, e na próxima vida ele vai-te recompensar, e o teu raptor será severamente castigado".
O mundo não é justo, e isso não é bom. Sentimos necessidade de uma justiça num outro mundo, porque vemos que muita gente não a tem neste. Mas não nos deixemos iludir: não sabemos nada de outros mundos, por isso temos de viver com aquilo que temos. A vida muitas vezes é injusta. Nós temos de lutar para que a justiça chegue neste mundo. Umas vezes chega, outras não, mas temos de continuar a tentar. Como todos sabemos, o mundo não é perfeito.
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